quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Capítulos de hoje 05/09/13: Marcos 09,10,11 e 12

Marcos 9:1-50
1 - DIZIA-LHES também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder.
2 - E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles;
3 - E as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear.
4 - E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus.
5 - E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, é bom que estejamos aqui; e façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.
6 - Pois não sabia o que dizia, porque estavam assombrados.
7 - E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi.
8 - E, tendo olhado em redor, ninguém mais viram, senão só Jesus com eles.
9 - E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos.
10 - E eles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquilo, ressuscitar dentre os mortos.
11 - E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?
12 - E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e, como está escrito do Filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado.
13 - Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como dele está escrito.
14 - E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com eles.
15 - E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada e, correndo para ele, o saudaram.
16 - E perguntou aos escribas: Que é que discutis com eles?
17 - E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo;
18 - E este, onde quer que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.
19 - E ele, respondendo-lhes, disse: Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo.
20 - E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando.
21 - E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância.
22 - E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.
23 - E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.
24 - E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.
25 - E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.
26 - E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.
27 - Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.
28 - E, quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não pudemos nós expulsar?
29 - E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum.
30 - E, tendo partido dali, caminharam pela Galiléia, e não queria que alguém o soubesse;
31 - Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia.
32 - Mas eles não entendiam esta palavra, e receavam interrogá-lo.
33 - E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho?
34 - Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior.
35 - E ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.
36 - E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes:
37 - Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou.
38 - E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.
39 - Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.
40 - Porque quem não é contra nós, é por nós.
41 - Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.
42 - E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar.
43 - E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga,
44 - Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.
45 - E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga,
46 - Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.
47 - E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno,
48 - Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.
49 - Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal.
50 - Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.


Marcos 10:1-52
1 - E, LEVANTANDO-SE dali, foi para os termos da Judéia, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno dele; e tornou a ensiná-los, como tinha por costume.
2 - E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: É lícito ao homem repudiar sua mulher?
3 - Mas ele, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moisés?
4 - E eles disseram: Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar.
5 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos deixou ele escrito esse mandamento;
6 - Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.
7 - Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,
8 - E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne.
9 - Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
10 - E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo.
11 - E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela.
12 - E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.
13 - E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhos traziam.
14 - Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.
15 - Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele.
16 - E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.
17 - E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
18 - E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus.
19 - Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe.
20 - Ele, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade.
21 - E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me.
22 - Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.
23 - Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
24 - E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!
25 - É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
26 - E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se?
27 - Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.
28 - E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos.
29 - E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,
30 - Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.
31 - Porém muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros.
32 - E iam no caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles. E eles maravilhavam-se, e seguiam-no atemorizados. E, tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir,
33 - Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios.
34 - E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; e, ao terceiro dia, ressuscitará.
35 - E aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos.
36 - E ele lhes disse: Que quereis que vos faça?
37 - E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.
38 - Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?
39 - E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado;
40 - Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a quem está reservado.
41 - E os dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João.
42 - Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas;
43 - Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal;
44 - E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.
45 - Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.
46 - Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.
47 - E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.
48 - E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim.
49 - E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama.
50 - E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.
51 - E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
52 - E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

Marcos 11:1-33
1 - E, LOGO que se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos,
2 - E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltai-o, e trazei-mo.
3 - E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui.
4 - E foram, e encontraram o jumentinho preso fora da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.
5 - E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?
6 - Eles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado; e deixaram-nos ir.
7 - E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele.
8 - E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.
9 - E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor;
10 - Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.
11 - E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.
12 - E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.
13 - E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
14 - E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto.
15 - E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
16 - E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
17 - E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
18 - E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina.
19 - E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade.
20 - E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.
21 - E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.
22 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;
23 - Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.
24 - Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis.
25 - E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.
26 - Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.
27 - E tornaram a Jerusalém, e, andando ele pelo templo, os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos, se aproximaram dele.
28 - E lhe disseram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas?
29 - Mas Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me; e então vos direi com que autoridade faço estas coisas:
30 - O batismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.
31 - E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que o não crestes?
32 - Se, porém, dissermos: Dos homens, tememos o povo. Porque todos sustentavam que João verdadeiramente era profeta.
33 - E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus lhes replicou: Também eu vos não direi com que autoridade faço estas coisas.


Marcos 12:1-44
1 - E COMEÇOU a falar-lhes por parábolas: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de um valado, e fundou nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra.
2 - E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fruto da vinha.
3 - Mas estes, apoderando-se dele, o feriram e o mandaram embora vazio.
4 - E tornou a enviar-lhes outro servo; e eles, apedrejando-o, o feriram na cabeça, e o mandaram embora, tendo-o afrontado.
5 - E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram; e a outros muitos, dos quais a uns feriram e a outros mataram.
6 - Tendo ele, pois, ainda um seu filho amado, enviou-o também a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho.
7 - Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e a herança será nossa.
8 - E, pegando dele, o mataram, e o lançaram fora da vinha.
9 - Que fará, pois, o SENHOR da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros.
10 - Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Esta foi posta por cabeça de esquina;
11 - Isto foi feito pelo Senhor E é coisa maravilhosa aos nossos olhos?
12 - E buscavam prendê-lo, mas temiam a multidão; porque entendiam que contra eles dizia esta parábola; e, deixando-o, foram-se.
13 - E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma palavra.
14 - E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus; é lícito dar o tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos?
15 - Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja.
16 - E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe disseram: De César.
17 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele.
18 - Então os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele, e perguntaram-lhe, dizendo:
19 - Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmão.
20 - Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência;
21 - E o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira.
22 - E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher.
23 - Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher.
24 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?
25 - Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus.
26 - E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?
27 - Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito.
28 - Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
29 - E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único Senhor.
30 - Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
31 - E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
32 - E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele;
33 - E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
34 - E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada.
35 - E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?
36 - O próprio Davi disse pelo Espírito Santo: O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.
37 - Pois, se Davi mesmo lhe chama SENHOR, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade.
38 - E, ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças,
39 - E das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias;
40 - Que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação.
41 - E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.
42 - Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.
43 - E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;
44 - Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.

AO ÚNICO

Salmos 79 05/09/13


1 - Ó DEUS, os gentios vieram à tua herança; contaminaram o teu santo templo; reduziram Jerusalém a montões de pedras.
2 - Deram os corpos mortos dos teus servos por comida às aves dos céus, e a carne dos teus santos às feras da terra.
3 - Derramaram o sangue deles como a água ao redor de Jerusalém, e não houve quem os enterrasse.
4 - Somos feitos opróbrio para nossos vizinhos, escárnio e zombaria para os que estão à roda de nós.
5 - Até quando, SENHOR? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?
6 - Derrama o teu furor sobre os gentios que não te conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome.
7 - Porque devoraram a Jacó, e assolaram as suas moradas.
8 - Não te lembres das nossas iniqüidades passadas; venham ao nosso encontro depressa as tuas misericórdias, pois já estamos muito abatidos.
9 - Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos, e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome.
10 - Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja ele conhecido entre os gentios, à nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado.
11 - Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço preserva aqueles que estão sentenciados à morte.
12 - E torna aos nossos vizinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua injúria com a qual te injuriaram, Senhor.
13 - Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Capítulos de hoje 04/09/13: Marcos 05,06,07 e 08

Marcos 5:1-43
1 - E CHEGARAM ao outro lado do mar, à província dos gadarenos.
2 - E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo;
3 - O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender;
4 - Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar.
5 - E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras.
6 - E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o.
7 - E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.
8 - (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.)
9 - E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos.
10 - E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província.
11 - E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.
12 - E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles.
13 - E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar.
14 - E os que apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido.
15 - E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram.
16 - E os que aquilo tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado, e acerca dos porcos.
17 - E começaram a rogar-lhe que saísse dos seus termos.
18 - E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele.
19 - Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o SENHOR te fez, e como teve misericórdia de ti.
20 - E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam.
21 - E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava junto do mar.
22 - E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,
23 - E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva.
24 - E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.
25 - E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue,
26 - E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior;
27 - Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste.
28 - Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei.
29 - E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.
30 - E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes?
31 - E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?
32 - E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera.
33 - Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.
34 - E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.
35 - Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?
36 - E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente.
37 - E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago.
38 - E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.
39 - E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme.
40 - E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada.
41 - E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te.
42 - E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto.
43 - E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.



Marcos 6:1-56
1 - E, PARTINDO dali, chegou à sua pátria, e os seus discípulos o seguiram.
2 - E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?
3 - Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele.
4 - E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa.
5 - E não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6 - E estava admirado da incredulidade deles. E percorreu as aldeias vizinhas, ensinando.
7 - Chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos;
8 - E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto;
9 - Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas.
10 - E dizia-lhes: Na casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali.
11 - E tantos quantos vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância no dia de juízo para Sodoma e Gomorra, do que para os daquela cidade.
12 - E, saindo eles, pregavam que se arrependessem.
13 - E expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.
14 - E ouviu isto o rei Herodes (porque o nome de Jesus se tornara notório), e disse: João, o que batizava, ressuscitou dentre os mortos, e por isso estas maravilhas operam nele.
15 - Outros diziam: É Elias. E diziam outros: É um profeta, ou como um dos profetas.
16 - Herodes, porém, ouvindo isto, disse: Este é João, que mandei degolar; ressuscitou dentre os mortos.
17 - Porquanto o mesmo Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, porquanto tinha casado com ela.
18 - Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.
19 - E Herodias o espiava, e queria matá-lo, mas não podia.
20 - Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia.
21 - E, chegando uma ocasião favorável em que Herodes, no dia dos seus anos, dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e príncipes da Galiléia,
22 - Entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse então o rei à menina: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
23 - E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino.
24 - E, saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? E ela disse: A cabeça de João o Batista.
25 - E, entrando logo, apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João o Batista.
26 - E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar.
27 - E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de João. E ele foi, e degolou-o na prisão;
28 - E trouxe a cabeça num prato, e deu-a à menina, e a menina a deu a sua mãe.
29 - E os seus discípulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro.
30 - E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado.
31 - E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer.
32 - E foram sós num barco para um lugar deserto.
33 - E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e correram para lá, a pé, de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles, e aproximavam-se dele.
34 - E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.
35 - E, como o dia fosse já muito adiantado, os seus discípulos se aproximaram dele, e lhe disseram: O lugar é deserto, e o dia está já muito adiantado.
36 - Despede-os, para que vão aos lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem pão para si; porque não têm que comer.
37 - Ele, porém, respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram-lhe: Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer?
38 - E ele disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide ver. E, sabendo-o eles, disseram: Cinco pães e dois peixes.
39 - E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a erva verde.
40 - E assentaram-se repartidos de cem em cem, e de cinqüenta em cinqüenta.
41 - E, tomando ele os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E repartiu os dois peixes por todos.
42 - E todos comeram, e ficaram fartos;
43 - E levantaram doze alcofas cheias de pedaços de pão e de peixe.
44 - E os que comeram os pães eram quase cinco mil homens.
45 - E logo obrigou os seus discípulos a subir para o barco, e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.
46 - E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar.
47 - E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar e ele, sozinho, em terra.
48 - E vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante.
49 - Mas, quando eles o viram andar sobre o mar, cuidaram que era um fantasma, e deram grandes gritos.
50 - Porque todos o viam, e perturbaram-se; mas logo falou com eles, e disse-lhes: Tende bom ânimo; sou eu, não temais.
51 - E subiu para o barco, para estar com eles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados;
52 - Pois não tinham compreendido o milagre dos pães; antes o seu coração estava endurecido.
53 - E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram.
54 - E, saindo eles do barco, logo o conheceram;
55 - E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos.
56 - E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam.



Marcos 7:1-37
1 - E AJUNTARAM-SE a ele os fariseus, e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalém.
2 - E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam.
3 - Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes;
4 - E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.
5 - Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar?
6 - E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim;
7 - Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens.
8 - Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas.
9 - E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.
10 - Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pai ou a mãe, certamente morrerá.
11 - Vós, porém, dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor;
12 - Nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe,
13 - Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.
14 - E, chamando outra vez a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós, todos, e compreendei.
15 - Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem.
16 - Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
17 - Depois, quando deixou a multidão, e entrou em casa, os seus discípulos o interrogavam acerca desta parábola.
18 - E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,
19 - Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?
20 - E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem.
21 - Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios,
22 - Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.
23 - Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.
24 - E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, não queria que alguém o soubesse, mas não pôde esconder-se;
25 - Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.
26 - E esta mulher era grega, siro-fenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio.
27 - Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
28 - Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.
29 - Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.
30 - E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.
31 - E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis.
32 - E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele.
33 - E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua.
34 - E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te.
35 - E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente.
36 - E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam.
37 - E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.


Marcos 8:1-38
1 - NAQUELES dias, havendo uma grande multidão, e não tendo quê comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes:
2 - Tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não têm quê comer.
3 - E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe.
4 - E os seus discípulos responderam-lhe: De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?
5 - E perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete.
6 - E ordenou à multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles, e puseram-nos diante da multidão.
7 - Tinham também alguns peixinhos; e, tendo dado graças, ordenou que também lhos pusessem diante.
8 - E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete cestos.
9 - E os que comeram eram quase quatro mil; e despediu-os.
10 - E, entrando logo no barco, com os seus discípulos, foi para as partes de Dalmanuta.
11 - E saíram os fariseus, e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu.
12 - E, suspirando profundamente em seu espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará sinal algum.
13 - E, deixando-os, tornou a entrar no barco, e foi para o outro lado.
14 - E eles se esqueceram de levar pão e, no barco, não tinham consigo senão um pão.
15 - E ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.
16 - E arrazoavam entre si, dizendo: É porque não temos pão.
17 - E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: Para que arrazoais, que não tendes pão? não considerastes, nem compreendestes ainda? tendes ainda o vosso coração endurecido?
18 - Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais,
19 - Quando parti os cinco pães entre os cinco mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? Disseram-lhe: Doze.
20 - E, quando parti os sete entre os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete.
21 - E ele lhes disse: Como não entendeis ainda?
22 - E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse.
23 - E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.
24 - E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam.
25 - Depois disto, tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos, e fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu cada homem claramente.
26 - E mandou-o para sua casa, dizendo: Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia.
27 - E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou?
28 - E eles responderam: João o Batista; e outros: Elias; mas outros: Um dos profetas.
29 - E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo.
30 - E admoestou-os, para que a ninguém dissessem aquilo dele.
31 - E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria.
32 - E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo.
33 - Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.
34 - E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.
35 - Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.
36 - Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?
37 - Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?
38 - Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.

Se Renovam - Diante do Trono

Salmos 78 04/09/13

1 - ESCUTAI a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
2 - Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.
3 - Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado.
4 - Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do SENHOR, assim como a sua força e as maravilhas que fez.
5 - Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos;
6 - Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos;
7 - Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.
8 - E não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel a Deus.
9 - Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, viraram as costas no dia da peleja.
10 - Não guardaram a aliança de Deus, e recusaram andar na sua lei;
11 - E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.
12 - Maravilhas que ele fez à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã.
13 - Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como num montão.
14 - De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo.
15 - Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abismos.
16 - Fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios.
17 - E ainda prosseguiram em pecar contra ele, provocando ao Altíssimo na solidão.
18 - E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu apetite.
19 - E falaram contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto?
20 - Eis que feriu a penha, e águas correram dela: rebentaram ribeiros em abundância. Poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?
21 - Portanto o SENHOR os ouviu, e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel;
22 - Porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação;
23 - Ainda que mandara às altas nuvens, e abriu as portas dos céus,
24 - E chovera sobre eles o maná para comerem, e lhes dera do trigo do céu.
25 - O homem comeu o pão dos anjos; ele lhes mandou comida a fartar.
26 - Fez soprar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força.
27 - E choveu sobre eles carne como pó, e aves de asas como a areia do mar.
28 - E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações.
29 - Então comeram e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo.
30 - Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes estava a comida na boca,
31 - Quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais robustos deles, e feriu os escolhidos de Israel.
32 - Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às suas maravilhas.
33 - Por isso consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos na angústia.
34 - Quando os matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus.
35 - E se lembravam de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor.
36 - Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam.
37 - Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis na sua aliança.
38 - Ele, porém, que é misericordioso, perdoou a sua iniqüidade; e não os destruiu, antes muitas vezes desviou deles o seu furor, e não despertou toda a sua ira.
39 - Porque se lembrou de que eram de carne, vento que passa e não volta.
40 - Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão!
41 - Voltaram atrás, e tentaram a Deus, e limitaram o Santo de Israel.
42 - Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversário;
43 - Como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã;
44 - E converteu os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não pudessem beber.
45 - Enviou entre eles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram.
46 - Deu também ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos.
47 - Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com pedrisco.
48 - Também entregou o seu gado à saraiva, e os seus rebanhos aos coriscos.
49 - Lançou sobre eles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angústia, mandando maus anjos contra eles.
50 - Preparou caminho à sua ira; não poupou as suas almas da morte, mas entregou à pestilência as suas vidas.
51 - E feriu a todo primogênito no Egito, primícias da sua força nas tendas de Cão.
52 - Mas fez com que o seu povo saísse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho.
53 - E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos.
54 - E os trouxe até ao termo do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu.
55 - E expulsou os gentios de diante deles, e lhes dividiu uma herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.
56 - Contudo tentaram e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos.
57 - Mas retiraram-se para trás, e portaram-se infielmente como seus pais; viraram-se como um arco enganoso.
58 - Pois o provocaram à ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as suas imagens de escultura.
59 - Deus ouviu isto e se indignou; e aborreceu a Israel sobremodo.
60 - Por isso desamparou o tabernáculo em Siló, a tenda que estabeleceu entre os homens.
61 - E deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo.
62 - E entregou o seu povo à espada, e se enfureceu contra a sua herança.
63 - O fogo consumiu os seus jovens, e as suas moças não foram dadas em casamento.
64 - Os seus sacerdotes caíram à espada, e as suas viúvas não fizeram lamentação.
65 - Então o Senhor despertou, como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho.
66 - E feriu os seus adversários por detrás, e pô-los em perpétuo desprezo.
67 - Além disto, recusou o tabernáculo de José, e não elegeu a tribo de Efraim.
68 - Antes elegeu a tribo de Judá; o monte Sião, que ele amava.
69 - E edificou o seu santuário como altos palácios, como a terra, que fundou para sempre.
70 - Também elegeu a Davi seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas;
71 - E o tirou do cuidado das que se acharam prenhes; para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança.
72 - Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela perícia de suas mãos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Em espírito, em verdade

Capítulos de hoje 03/09/13: Marcos 01,02,03 e 04

Marcos 1:1-45
1 - PRINCÍPIO do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus;
2 - Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti.
3 - Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas.
4 - Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados.
5 - E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
6 - E João andava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.
7 - E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas.
8 - Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.
9 - E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galiléia, foi batizado por João, no Jordão.
10 - E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele.
11 - E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo.
12 - E logo o Espírito o impeliu para o deserto.
13 - E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam.
14 - E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus,
15 - E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.
16 - E, andando junto do mar da Galiléia, viu Simão, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
17 - E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens.
18 - E, deixando logo as suas redes, o seguiram.
19 - E, passando dali um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes,
20 - E logo os chamou. E eles, deixando o seu pai Zebedeu no barco com os jornaleiros, foram após ele.
21 - Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, ali ensinava.
22 - E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.
23 - E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou,
24 - Dizendo: Ah! que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.
25 - E repreendeu-o Jesus, dizendo: Cala-te, e sai dele.
26 - Então o espírito imundo, convulsionando-o, e clamando com grande voz, saiu dele.
27 - E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!
28 - E logo correu a sua fama por toda a província da Galiléia.
29 - E logo, saindo da sinagoga, foram à casa de Simão e de André com Tiago e João.
30 - E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe falaram dela.
31 - Então, chegando-se a ela, tomou-a pela mão, e levantou-a; e imediatamente a febre a deixou, e servia-os.
32 - E, tendo chegado a tarde, quando já se estava pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados.
33 - E toda a cidade se ajuntou à porta.
34 - E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam.
35 - E, levantando-se de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava.
36 - E seguiram-no Simão e os que com ele estavam.
37 - E, achando-o, lhe disseram: Todos te buscam.
38 - E ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim.
39 - E pregava nas sinagogas deles, por toda a Galiléia, e expulsava os demônios.
40 - E aproximou-se dele um leproso que, rogando-lhe, e pondo-se de joelhos diante dele, lhe dizia: Se queres, bem podes limpar-me.
41 - E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo.
42 - E, tendo ele dito isto, logo a lepra desapareceu, e ficou limpo.
43 - E, advertindo-o severamente, logo o despediu.
44 - E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.
45 - Mas, tendo ele saído, começou a apregoar muitas coisas, e a divulgar o que acontecera; de sorte que Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele.


Marcos 2:1-28
1 - E ALGUNS dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.
2 - E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra.
3 - E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.
4 - E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.
5 - E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.
6 - E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo:
7 - Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?
8 - E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações?
9 - Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?
10 - Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico),
11 - A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
12 - E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.
13 - E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava.
14 - E, passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.
15 - E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido.
16 - E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?
17 - E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.
18 - Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam; e foram e disseram-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos?
19 - E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar;
20 - Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão naqueles dias.
21 - Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior.
22 - E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos.
23 - E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas.
24 - E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito?
25 - Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam?
26 - Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam?
27 - E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.
28 - Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor.


Marcos 3:1-35
1 - E OUTRA vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada.
2 - E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem.
3 - E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio.
4 - E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se.
5 - E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.
6 - E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.
7 - E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galiléia e da Judéia,
8 - E de Jerusalém, e da Iduméia, e de além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele.
9 - E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse,
10 - Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem.
11 - E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus.
12 - E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.
13 - E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele.
14 - E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar,
15 - E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios:
16 - A Simão, a quem pôs o nome de Pedro,
17 - E a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;
18 - E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote,
19 - E a Judas Iscariotes, o que o entregou.
20 - E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão.
21 - E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.
22 - E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.
23 - E, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás?
24 - E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;
25 - E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir.
26 - E, se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode subsistir; antes tem fim.
27 - Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não maniatar o valente; e então roubará a sua casa.
28 - Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem;
29 - Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo
30 - (Porque diziam: Tem espírito imundo).
31 - Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar.
32 - E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora.
33 - E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?
34 - E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
35 - Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.


Marcos 4:1-41
1 - E OUTRA vez começou a ensinar junto do mar, e ajuntou-se a ele grande multidão, de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar.
2 - E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina:
3 - Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.
4 - E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;
5 - E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda;
6 - Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se.
7 - E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto.
8 - E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem.
9 - E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
10 - E, quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola.
11 - E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas,
12 - Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.
13 - E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?
14 - O que semeia, semeia a palavra;
15 - E, os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações.
16 - E da mesma forma os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem;
17 - Mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se escandalizam.
18 - E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra;
19 - Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.
20 - E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um a trinta, outro a sessenta, outro a cem, por um.
21 - E disse-lhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? não vem antes para se colocar no velador?
22 - Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.
23 - Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
24 - E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada a vós que ouvis.
25 - Porque ao que tem, ser-lhe-á dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
26 - E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra.
27 - E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como.
28 - Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga.
29 - E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.
30 - E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos?
31 - É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra;
32 - Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.
33 - E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender.
34 - E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos.
35 - E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado.
36 - E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos.
37 - E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia.
38 - E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?
39 - E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança.
40 - E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?
41 - E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?


O Evangelho Segundo Marcos

IMPORTÂNCIA DO EVANGELHO DE MARCOS
Este Evangelho, o segundo dos livros do Novo Testamento, contém pouco material que não apareça igualmente em Mateus e Lucas. Apenas cinco passagens de Marcos (3.7-12; 4.26-29; 7.32-37; 8.22-26; 14.51-52) e alguns versículos isolados não foram registrados nos outros dois Evangelhos. Por essa razão, durante muito tempo, não se deu a Marcos (Mc) a importância teológica e literária que realmente tem.
No entanto, desde o séc. XIX, começou a firmar-se a idéia de que o “segundo Evangelho” foi básico na preparação de Mateus e Lucas. E, ao considerar-se assim que Marcos é o documento mais antigo que possuímos sobre a vida e a obra de Jesus, foi despertado um grande interesse por estudá-lo.


AUTOR
A opinião mais generalizada identifica o autor do nosso Evangelho com João Marcos (ou só João), parente de Barnabé (Cl 4.10) e filho de Maria, a qual morava em Jerusalém, em uma casa que dispunha de um “cenáculo onde se reuniam” os apóstolos (At 1.13; 12.12). Foi colaborador de Paulo (At 12.25; 13.5,13; 15.37,39; 2Tm 4.11; Fm 24) e, talvez, discípulo de Pedro, que na sua primeira carta o menciona como “meu filho Marcos” (1Pe 5.13).
Marcos não é um historiador no sentido que hoje damos ao termo. Antes, é um narrador que conta o que chegou ao seu conhecimento. Escreve em grego, com a rusticidade característica de quem está usando um idioma que não lhe é próprio e, contudo, sabe desenvolver um estilo vivo e vigoroso. Recorre, provavelmente, à memória de coisas ouvidas, mas é capaz de criar no leitor a impressão de encontrar-se ante uma testemunha ocular dos fatos relatados.


PROPÓSITO DO EVANGELHO
Marcos não parece preocupado com questões biográficas. Exemplo disso é a ausência na sua obra de uma história do nascimento e da infância de Jesus, da maneira como o fazem Mateus e Lucas. Ademais, em termos gerais e excetuando talvez os caps. da prisão, julgamento, crucificação e ressurreição do Senhor (14—16), os dados cronológicos consignados pelo evangelista não permitem estabelecer com precisão a ordem em que ocorrem os acontecimentos.
O que realmente importa ao evangelista é testificar que à pergunta sobre quem é Jesus a primeira comunidade cristã respondeu com convicção: Jesus é o Filho de Deus. E, fazendo-se eco dessa afirmação de fé, Marcos inicia a sua mensagem enunciando solenemente: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1.1; cf. também 1.11; 3.11; 5.7; 9.7; 14.61; 15.39).


CARACTERÍSTICAS TEOLÓGICAS E LITERÁRIAS
Este Evangelho proclama em cada uma das suas páginas que Jesus é a revelação definitiva de Deus, o qual, em seu Filho eterno, se integra na história da humanidade: Jesus, o singelo mestre chegado da Galiléia (1.9), é o Cristo, o Messias a quem desde séculos antigos esperava o povo de Israel (8.29; 9.41; 14.61-62). O evangelista anuncia a presença de Jesus no mundo como o sinal imediato da vinda do reino de Deus (1.14-15; 4.1-34).
A personalidade de Jesus, entretanto, não satisfaz às expectativas judaicas, pois longe de apresentar-se como messias político e militar, o faz como um homem humilde cuja atividade e ensinamentos não correspondiam à imagem triunfante de um libertador nacional.
Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, é também o Filho do Homem. Participa dos sentimentos humanos e é sujeito ao sofrimento e à morte (8.31). Com consciência da sua natureza humana, exige freqüentemente que a sua função messiânica se mantenha em segredo (1.43-44; 5.43; 8.29-30; 9.9,30-31), até que chegue o momento de ser acreditada pelos padecimentos morais e físicos que ele deverá enfrentar (14.35-36; 15.39).
Uma característica típica de Marcos é que dedica mais espaço aos atos que aos discursos de Jesus. Na realidade, só dois desses últimos podem ser considerados como tais: a série de parábolas de 4.1-34 e o sermão escatológico de 13.3-37. Tudo mais são breves intervenções de ensinamento, exortação ou controvérsia. Por outro lado, o evangelista concede à descrição dos atos um espaço mais amplo, inclusive, às vezes, superior ao que Mateus e Lucas dedicam a narrativas paralelas (cf. 5.21-43 com Mt 9.18-26 e Lc 8.40-56; 6.14-29 com Mt 14.1-12; 6.30 com Mt 14.13-21 e Lc 9.10-17).
À medida que progride, o desenvolvimento dramático do segundo Evangelho cresce em intensidade, até alcançar o seu ponto culminante no relato da paixão, crucificação e ressurreição de Jesus. O Senhor anuncia três vezes esses acontecimentos aos seus discípulos: “O Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas... e o entregarão aos gentios; hão de... matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará” (10.33-34; ver 8.31 e 9.31. Cf. Mt 16.21; 17.22-23; 20.18-19 e Lc 9.22; 9.44; 18.32-33). Os discípulos não compreenderam até o último momento que o sacrifício de Jesus Cristo fazia parte do plano de salvação de que Deus o havia incumbido (8.32-38; 16.19-20).


LEITORES, TEMPO E LUGAR
Com respeito à composição de Marcos, é provável que teve lugar em Roma ou, talvez, na Antioquia da Síria, antes do ano 70, data em que Jerusalém foi destruída. Não há base cronológica que permita datá-la com exatidão, de forma que alguns historiadores a situam entre 65 e 70, isto é, nos anos que seguiram à perseguição de 64, decretada por Nero; outros situam a data em torno do ano 63; e ainda outros a fazem retroceder até a década de 50.
A antiga tradição eclesiástica viu neste Evangelho a influência dos ensinamentos de Pedro, de quem Marcos teria sido discípulo. Em princípio, foi escrito para leitores de origem gentílica, residentes fora da Palestina. Assim o sugere, entre outras peculiaridades, o fato de que o autor acrescenta à tradução grega expressões cujo original aramaico incorpora ao texto com a maior fidelidade (cf. 5.41; 7.11,34; 14.36; 15.22,34).

ESTRUTURA DO EVANGELHO
A estrutura formal de Marcos tem dado lugar a diversas análises e a diferentes possibilidades de dividir o texto. A que mais adiante se oferece toma como base a revelação progressiva que Jesus faz de si mesmo: por um lado, a sua personalidade (cf. 1.7-8,10-11; 4.41; 8.27-29; 9.7), o seu poder frente à natureza, à dor e à morte (cf. 1.30-31,40-42; 2.3-12; 4.37-39; 5.22-42; 6.45-51) e a sua luta contra as forças do mal (cf. 1.24-27; 3.11; 5.15,19; 9.25-27); por outro lado, a índole da sua missão, primeiro como mestre e profeta (cf. 1.37-39; 2.18-28; 3.13-19,23-29; 4.1-34; 9.2—10.45; 13.3-37; 14.61-62) e definitivamente como Senhor e Salvador (16.15-18).



ESBOÇO:
Prólogo (1.1-15)
Pregação de João Batista (1.1-8)
Começo do ministério de Jesus (1.9-15)
1. Jesus, o Messias (1.16—8.30)
a. Atividades e ensinamentos de Jesus (1.16—3.12)
b. Proclamação do Reino de Deus (3.13—6.6)
c. Jesus se revela como o Messias (6.7—8.30)
2. Jesus, o Filho do Homem (8.31—16.20)
a. Jesus anuncia a sua morte (8.31—11.11)
b. Atividades de Jesus em Jerusalém (11.12—13.37)
c. Paixão, morte e ressurreição (14.1—16.20)

MARCOS

Evangelho segundo MARCOS

Salmo: 1 salmo por dia